Policiais militares de Minas ameaçam entrar em greve nos moldes do ES; governo descarta negociação - Gminas TV - Gminas TV

Policiais militares de Minas podem cruzar os braços e entrar em greve nas próximas semanas. A decisão surgiu em um encontro realizado na tarde dessa terça-feira (14), em Belo Horizonte. Durante a reunião, os agentes de segurança prepararam pautas a fim de reivindicar melhores condições para a categoria. Caso o Governo do Estado não cumpra as exigências, dentre elas reajuste salarial e pagamento integral no quinto dia útil, os militares podem paralisar suas atividades e esvaziar as ruas. A promessa é de que o movimento seja feito nos moldes do Espírito Santo, onde os policiais não saem para as ruas impedidos por familiares.

Além de um acréscimo de 20% no salário, que serviria para compensar valores perdidos pela categoria nos últimos dois anos, os policiais também pedem que os salários sejam pagos integralmente no quinto dia útil do mês. Isso porque os vencimentos têm sido parcelados desde o início de 2016. O vencimento dos policiais mineiros chegou a R$ 4.098 em 2015, valor duas vezes maior do que o repassado a eles em 2011. No Espírito Santo e no Rio de Janeiro, onde policiais também deram início a um movimento de paralisação por melhorias trabalhistas, na última semana, o pagamento é de R$ 2.646 e R$ 2.992, respectivamente.

A expectativa é de que os policiais mineiros comecem a se mobilizar a partir de março para não comprometer o policiamento no Carnaval, quando milhares de foliões vão se reunir em festas espalhadas por Minas. O público esperado apenas na capital é de 2,4 milhões de pessoas. Uma das primeiras ações da corporação será convocar as mulheres dos policiais para um debate na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), onde os militares se reunirão com representantes e políticos ligados à categoria. O papel de esposas, namoradas e outras familiares dos agentes seria essencial para o movimento, já que, pela Constituição, eles não podem fazer greve. Em caso de descumprimento da lei, os militares podem até receber pena de prisão.

Nessa terça-feira, estiveram presentes na ALMG o presidente da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra), Sargento Bahia, o Cabo Coelho, da Associação dos Servidores do Corpo de Bombeiros e Polícia Militar de Minas Gerais (Ascobom), e o Sargento Alexandre, da União dos Militares de Minas Gerais (UMMG), entre outros. O deputado federal Subtenente Gonzaga e os parlamentares estaduais Sargento Rodrigues e Coronel Piccinini também marcaram presença no encontro.

Ao Bhaz, o Sargento Rodrigues (PDT) explicou nesta quarta-feira (15) que a movimentação dos policiais tem como principal objetivo promover melhorias nas condições trabalhistas da categoria. Segundo o deputado, a população precisa estar ciente do que ocorre para que os agentes não sejam responsabilizados pela paralisação das atividades da corporação nas ruas.

“Eu acompanhei o movimento no Espírito Santo, tenho 18 anos de mandato e vejo como necessária essa mobilização da PM”, disse. “Assim como ocorreu no Espírito Santo, o que os policiais querem são condições mais dignas. O pagamento da categoria é parcelado em três vezes, todo mês, desde o ano passado. Onde já se viu isso?”, questiona. “Você já viu secretário, assessor, governador fazer greve? Óbvio que não. Eles têm salários altos e sempre em dia. Quem ganha R$ 60 mil por mês não precisa fazer greve”, argumenta.

Segundo Rodrigues, o Governo do Estado descumpre a lei ao ignorar o fato de que a revisão anual dos vencimentos da Polícia Militar foi negligenciada nos dois últimos anos. “Em 2016 e em 2015 não houve revisão anual de vencimentos, conforme estabelece a Lei 19.973/11. Os policiais não estão querendo aumento de salário, não é nenhum privilégio, apenas a compensação do declínio de recursos dos anos anteriores”, explica. “Essa movimentação é importante para que a população veja que a precariedade da PM é reflexo da falta de investimentos. A PM, a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros não têm como dar um retorno mais eficaz diante dessa situação”, disse.

Mulheres engajadas e panfletagem nas ruas

Ainda de acordo com Sargento Rodrigues, uma reunião com mulheres de policiais e outros familiares dos agentes está marcada para o dia 17 de fevereiro. O encontro, que deve ocorrer a partir das 14h na ALMG, busca orientá-los a como participar da movimentação. “Vamos nos reunir no dia 17 para falar sobre o engajamento das mulheres. É algo que afeta a todos e elas estão dispostas a participar. Esperamos que o governo atenda ao pedido de negociação, mas a primeira mobilização vai ocorrer no início de março, no dia 7”, explica.

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Fonte: BHAZ o portal de notícias de Belo Horizonte

Foto divulgação/Agência Minas

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