Grávidas e bebês não podem conviver com animais? - Gminas TV - Gminas TV

Qual criança nunca sonhou em ter um cachorro de estimação? Ou um gato? Ou um coelho? Ou até uma tartaruga? Ter um bichinho de estimação é uma experiência sem igual, ainda mais na infância. Mas muitos pais ainda proíbem seus filhos de terem animaizinhos. Isso por que, além da responsabilidade e trabalho que dá cuidar de um bichinho, existe o medo que o animal possa transmitir doenças.

Essa possibilidade existe, sim, mas há mais mitos do que verdades nessa relação. E, ainda por cima, existem muitos modos de se evitar as doenças e ter uma convivência harmoniosa e saudável com seu pet.

Uma das maiores preocupações é com o fato dos animais – especialmente os peludos – causarem alergia a seus donos, principalmente respiratória devido aos pelos soltos. Mas isso não é verdade.

Em primeiro lugar, animais domésticos não causam bronquite ou rinite – essas doenças são desenvolvidas por predisposição genética. Em segundo, o que pode desencadear uma crise de alergia não são os pelos, mas, sim, os flocos de pele morta – portanto, não há diferenças significativas entre ter um animal de pelo comprido ou curto.

Se uma pessoa, criança ou adulto, sofre de rinite, bronquite ou alergia respiratória, o contato com animais pode, sim, desencadear uma crise. Mas isso também pode ser evitado em muitos casos com os devidos cuidados de higiene.

“Deixar o animal longe do quarto; não deixá-lo ficar nos móveis estofados; dar banho semanalmente; escová-lo regularmente para retirar as ‘caspas’  causadoras de alergias; passar um pano úmido no chão da casa para retirar excessos de pele e flocos de pele morta; retirar carpetes e tapetes retentores de proteínas causadoras de alergias são algumas medidas que podem ser tomadas para se evitar uma crise”, ensina Cristina Kokron, alergista do Hospital Israelita Albert Einstein de São Paulo.

Além disso, existem estudos que apontam que crianças que convivem com animais têm menos chances de desenvolver problemas respiratórios. Pesquisa realizada pela Universidade da Finlândia Oriental, divulgada na revista Pediatrics em 2012, acompanhou 397 crianças e concluiu que as que conviveram com cães apresentavam menos problemas de infecções respiratórias no primeiro ano de vida do que aquelas que não tiveram contato com os animais.

“Esses estudos apontam que a exposição precoce a animais de estimação pode ter efeito protetor, ou pelo menos não indutor, de sensibilização alérgica ao animal. Este efeito parece estar relacionado a alterações no sistema imune, que nesta idade está em desenvolvimento ainda”, explica Kokron.

Zoonoses

As doenças causadas por animais ao homem, as chamadas zoonoses, podem ser transmitidas de diversas formas, como mordidas, arranhões, contato com saliva, urina, fezes e pelos. As mais conhecidas são a toxoplasmose, a raiva, a sarna, a psitacose e a salmonela.

A raiva pode ser transmitida através da mordida, lambida em feridas abertas ou arranhões de cães, gatos e outros animais silvestres infectados. A sarna pode ser adquirida por pulgas e ácaros presentes em cães e gatos com a doença.

A psitacose é transmitida por aves e ocorre por via respiratória, por meio da aspiração da poeira contaminada pelos dejetos dos animais. A salmonela pode ser transmitida por tartarugas e outros répteis, que podem ser portadores da bactéria causadora da doença, após o contato sem a higienização adequada.

No entanto, é bom atentar que essas doenças somente são transmitidas se os animais estiverem infectados. Aqueles bem cuidados, que têm alimentação e higiene adequadas, dificilmente transmitem doenças.

“Além disso, a taxa de transmissão dessas doenças para os seres humanos é muito baixa. Vale frisar que animais bem cuidados, sob orientação de um médico veterinário, dificilmente transmitem doenças”, enfatiza o médico veterinário Marcello Roza, conselheiro do CFMV.

“Por isso é importante cuidar da saúde do animal: evitar pulgas ou carrapatos, manter a vacinação em dia, dar banhos com a frequência indicada pelo veterinário e vermifugar periodicamente”, diz a fitoterapeuta e terapeuta de animais Martha Follain, articulista da Agência de Notícias de Direitos Animais (Anda) e fundadora dos grupos Proteção dos Direitos dos Animais, Ecologia, Vegetarianismo e Terapias Holísticas e Direito dos Animais Humanos e Não Humanos.

Crianças, gestantes e pets

Muitas pessoas acreditam que gestante e crianças devem evitar o contato com animais de estimação, mas não é bem assim. “Que fique claro que o convívio com animais é muito benéfico para nós, em todas as fases da vida. Por isso, antes que você pense em doar o seu animalzinho, é bom saber que a principal medida para quem tem um pet é a de manter os cuidados com vacinação, vermifugação e consultas periódicas ao veterinário, desde a sua aquisição”, diz o ginecologista e obstetra José Bento de Souza, no Guia Crianças + Pets – Como Aproveitar o Melhor Dessa Relação, da Bayer Healthcare.

Uma das maiores preocupações das gestantes é contrair a toxoplasmose durante a gravidez, pois a doença traz riscos ao desenvolvimento do bebê, como lesões dermatológicas, surdez e atraso no desenvolvimento mental, por exemplo. A doença pode ser contraída pela ingestão de água ou alimentos contaminados pelo protozoário Toxoplasma gondii, presente nas fezes de gatos infectados.

Mas é bom lembrar que a contaminação só ocorre quando a gestante não faz a higienização correta ou, então, através da ingestão de água ou carne infectadas. Para evitar o contágio, basta reforçar os cuidados com a higiene de seu bichinho e pedir para outra pessoa limpar o lugar onde ele defeca e urina.

Crianças também se beneficiam muito do contato com animais. A presença de um bichinho de estimação em casa, interagindo diretamente com os pequenos, é um estímulo para que eles se exercitem, além de fazer com que se sintam mais seguros, confiantes e valorizados, favorecendo sua autoestima.

O animal também ajuda a desenvolver e fortalecer relações sociais, além de alimentar a curiosidade, imaginação e fantasia das crianças. Ou seja, o relacionamento traz benefícios físicos, psicológicos, sociais e cognitivos para elas.

“Estudos apontam que o vínculo entre a criança e o animal tem diversos efeitos positivos no desenvolvimento, principalmente nos quesitos empatia, cooperação e competências sociais. Os animais se tornam figuras de conforto, apoio e companheirismo, trazendo influências positivas na autoestima e possibilitando à criança aprender como cuidar do outro”, afirma a psicóloga Alice Frank, pesquisadora do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal da USP (Universidade de São Paulo).

É claro que, para uma convivência saudável, tanto a criança como o pet devem ser educados para se evitar acidentes com arranhões e mordidas, além, é claro, dos cuidados com a higiene, que devem ser ensinados desde cedo.

Bom para a saúde emocional

Ter um bichinho de estimação pode ajudar – e muito – na manutenção da saúde física e emocional. Vários estudos apontam que apenas acariciar um animal reduz os níveis de estresse. Isso porque, ao passar a mão pelo corpo do animal, o organismo libera oxitocina, um hormônio relacionado ao vínculo emocional, que gera uma sensação de calma e bem-estar.

O contato com os animais também auxilia contra a depressão. Um estudo publicado no British Medical Journal mostrou que 82% das pessoas que têm um bicho de estimação declararam que seu pet os faz sentir melhor quando estão tristes. Além disso, outros estudos demonstram que brincar com os animais eleva os níveis de serotonina e dopamina e diminui os de cortisol.

“Os animais se tornam figuras de conforto, apoio e companheirismo, trazendo influências positivas na autoestima”, diz Frank.

E não é só isso: o relatório da Associação Americana do Coração de 2012 afirma que conviver com um animal reduz o risco de doenças cardíacas. E um estudo realizado pela Universidade de Sydney, na Austrália, apontou que uma pessoa que sai para passear com seu cachorro cumpre 54% dos níveis recomendados de exercícios diários, favorecendo o funcionamento do sistema cardiovascular.

Os resultados do estudo também mostraram que donos de cães e gatos têm taxas mais baixas de triglicérides e colesterol do que as pessoas que não têm um animalzinho.

Pet terapia

Os animais também podem contribuir – e muito – para a melhora de pessoas que sofrem de distúrbios comportamentais, transtornos mentais e até de doenças crônicas. Há muitos anos os animais vêm sendo usados como terapia.

Cães, gatos, cavalos e até golfinhos ajudam os pacientes a reagir positivamente a estímulos físicos e psicológicos, e são muito utilizados para estimular crianças com autismo ou síndrome de Down.

Especialistas do Centro de Pesquisa do Hospital de Brest, na França, comprovaram que crianças autistas que passaram a ter um cão ou um gato, quando já tinham mais de cinco anos de idade, tinham mais chance de apresentar melhora no relacionamento com outras pessoas se comparadas àquelas que não conviviam com um.

No Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), considerado centro de referência no tratamento de pessoas com autismo, há um tratamento com um time de cães que auxiliam na terapia assistida das crianças autistas.

“O objetivo dessas terapias auxiliares é aproximar os indivíduos portadores de autismo, favorecendo a inter-relação e o desenvolvimento de vínculos e amizades”, explica o psiquiatra Estevão Vadasz, coordenador do Programa Autista (Protea) do IPq. Vadasz ainda aponta que pesquisas já mostraram que o contato das crianças com cachorros aumenta os níveis da oxitocina, o hormônio da empatia.

Os bichinhos ajudam também na recuperação de doentes e presidiários. Nos Estados Unidos, cachorros e gatos têm sido usados em penitenciárias para aliviar a raiva, o estresse e a agressividade dos condenados. Alguns hospitais norte-americanos e europeus, e recentemente o Hospital Albert Einstein no Brasil, permitem que os bichinhos de estimação visitem seus donos nos hospitais. A presença dos pets traz conforto e ânimo aos pacientes, e até mesmo colabora para uma recuperação mais rápida.

Fonte: UOL

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